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5 de novembro de 2010

SINTUSP se incorpora ao ato do dia 17/11 a à luta contra a opressão!

Moção de Repúdio aos agressores e autores do “Rodeio das Gordas”
Assembléia de Trabalhadoras e Trabalhadores da USP


Nós, trabalhadoras e trabalhadores da USP, reunidos em assembléia no dia 05 de novembro de 2010, repudiamos a realização do chamado “Rodeio das Gordas” no Interunesp deste ano, evento esportivo que reúne todos os campi da UNESP. Este ato, que consistia em “montar” sobre meninas gordas simulando um rodeio, é um ato execrável que devemos repudiar com todas as nossas forças, pois concentra a mais degradante e violenta opressão desta sociedade capitalista em que vivemos.

Não devemos aceitar a imposição de um padrão de beleza, tampouco devemos aceitar a naturalização deste tipo de violência, que ocorre todos os dias, às vezes de forma velada, às vezes de forma absurda – como no “Rodeio das Gordas”. Repudiamos também a Reitoria e as Diretorias da UNESP, que têm “mão firme” com os lutadores, e “mão leve” com os agressores, estando estes últimos até o momento sem nenhuma punição.

O Sindicato de Trabalhadores da USP (Sintusp) se incorpora ao chamado do Diretório Central de Estudantes da UNESP na convocação de um ato para o dia 17 de novembro em frente à Reitoria da Unesp e na realização de um grande Festival Interunesp contra a Opressão nos dias 26 e 27 de novembro.

Punição aos agressores! Por uma comissão independente de investigação!
Não ao “Rodeio das Gordas”! Basta de opressão e violência contra as mulheres!

05 de novembro de 2010
www.sintusp.org.br

28 de março de 2008

Pela emancipação feminina!

O dia 8 de março de 1857 remete-se a data em que 130 tecelãs foram queimadas vivas dentro de uma fábrica em Nova Iorque simplesmente por questionarem seus direitos como a diferença salarial. São essas datas que nos obrigam a refletir sobre qual é o verdadeiro papel da mulher. É preciso abrir e ocupar os espaços para essas discussões, para o diálogo e quebrar as barreiras entre a universidade e a sociedade lutando pela defesa do lugar da mulher contra abusos ou qualquer tipo de violência ou assédio e toda estrutura social que nos impõem essas condições. É necessário reverter esse quadro, que ocorre diariamente, e lutar por nossa real emancipação, mas para isso precisamos reconhecer que há um problema, reconhecer que vivemos numa sociedade dividida em classes e com conceitos ultrapassados.

Essa realidade exige que não nos conformemos, pelo contrário, temos que despertar para essa realidade e combatê-la. Combater diariamente aos constantes assédios morais e sexuais, aos comentários e atitudes que ferem nosso direito de ser mulher e agir como tal. Dias como o dia 8 de março nos faz relembrar toda a história de mulheres que lutaram por seus direitos e como foram e continuam a serem tratadas pela sociedade e pelo Estado.

Infelizmente, ao mesmo tempo que os abusos morais e sexuais crescem diariamente, os espaços para denúncias diminuem na mesma proporção. As delegacias da mulher são hoje espaços quase dominados por homens, e até mesmo mulheres, atolados em conceitos burgueses que desmerecem a emancipação feminina. As discussões sobre aborto, assédio, lei Maria da Penha, assuntos sobre a questão de gênero são cada vez mais escassos e considerados de pouca importância.

É muito claro o reflexo que essa sociedade, que acabamos de descrever, projeta dentro dos muros das universidades. Vivemos numa sociedade racista, machista e homofóbica, preconceitos que são levados tanto pelos estudantes como pelos professores para as universidades. Essas acabam por refletir as contradições sociais, que ficam ainda mais gritantes com a forma de admissão dos estudantes no ensino superior, afinal o vestibular é um filtro de pobreza que torna a universidade cada vez mais elitista, racista e perpetuadora dessas cotidianas contradições.

A conclusão acima relacionada pode ser facilmente exemplificada, como por exemplo no ocorrido no ano de 2007, na UNESP campus de Franca, onde houve a denúncia por parte de estudantes do curso de relações internacionais de assédio por um professor do mesmo curso. A diretoria do campus teve uma atitude, infelizmente já esperada, que foi ausentar-se de responsabilidade ou de providenciar qualquer outra atitude. Ainda no mesmo campus, algumas estudantes, ao freqüentarem o banheiro da universidade, foram assediadas por homens que ficaram à espreita, novamente a diretoria do campus ou qualquer outra autoridade local ausentou-se de qualquer responsabilidade e nenhuma providência foi tomada.

Na cidade de Assis, o problema não é diferente. A cidade é conhecida pelo alto índice de mulheres que residem na cidade e ao mesmo tempo pelo número mínimo de leis que protegem ou defendem essas mulheres. O índice de estupro e abuso na cidade é um dos mais elevados do Estado de São Paulo e os espaços para denúncia ou para essas mulheres conversarem a respeito são mínimos. Os poucos espaços que essas mulheres possuem para denúncia ou diálogo são dominados por conceitos burgueses e comentários do tipo “provocativa” ou “merecedora”.
Assis e Franca são apenas dois exemplos de infinitas cidades que ocorrem esses problemas. Ainda pior, existem lugares que “fingem” não existir esses problemas, pois possuem um posicionamento tão machista e conservador que ainda consideram a mulher como apenas um objeto de posse do homem. Precisamos principalmente nós, mulheres, nos impor e lutar por nossa real emancipação, mas para isso precisamos reconhecer que há um problema, reconhecer que vivemos numa sociedade divida em classes e com conceitos burgueses conservadores, machistas.
Nós como mulheres e revolucionárias precisamos abrir espaços para essas discussões, para o diálogo e diminuir esse conceito burguês e machista. Precisamos quebrar as barreiras entre a universidade e a sociedade lutando pela defesa do nosso corpo, contra abusos, contra qualquer tipo de violência ou assédio e toda estrutura social que nos impõem essas condições. O número de mulheres que sofrem com esse problema é absurdo e precisamos urgentemente reverter esse quadro.



Por isso a atual gestão do DCE Helenira Rezende vem por meio deste incentivar as discussões nos campi e, para que não somente nesse dia 8 de março, mas sempre, tenhamos o maior numero de pessoas mobilizadas e conscientes nessa luta.

Anna Carolina(Botucatu) - delegada do DCE
Larissa(Franca) - representante discente no Conselho Universitário